terça-feira, 8 de dezembro de 2009

PRA MINHA AMIGA SECRETA : Lucia Czermainski Gonçalves



Querida amiga secreta, seu presentinho ja foi comprado e dia 15 segue para o correio, vasculhei suas comunidades e seus gostos pessoais relacionados a literatura, espero que goste, comprei com carinho .
Enquanto ao seu presente virtual, aqui esta:

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será nossa vida:

Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:

Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos: Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

POEMA DE NATAL - Vinícius de Moraes






PARA MEU AMIGO SECRETO ROMMEL WERNECK

PARA MEU AMIGO SECRETO EMERSON SARMENTO

Na terra do coração passei o dia pensando - coração meu, meu coração. Pensei e pensei tanto que deixou de significar uma forma, um órgão, uma coisa. Ficou só com-cor, ação - repetido, invertido - ação, cor - sem sentido - couro, ação e não. Quis vê-lo, escapava. Batia e rebatia, escondido no peito. Então fechei os olhos, viajei. E como quem gira um caleidoscópio, vi:

Meu coração é um sapo rajado, viscoso e cansado, à espera do beijo prometido capaz de transformá-lo em príncipe.

Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham. Roídas de traça, amareladas de tempo, faces desfeitas, imóveis, cristalizadas em poses rígidas para o fotógrafo invisível. Este apertava os olhos quando sorria. Aquela tinha um jeito peculiar de inclinar a cabeça. Eu viro as folhas, o pó resta nos dedos, o vento sopra.

Meu coração é um mendigo mais faminto da rua mais miserável.Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d’água. Olhado assim, de cima, pode ser Wu Wang, a Inocência. Mas tão manchado que talvez seja Ming I, o Obscurecimento da Luz. Ou qualquer um, ou qualquer outro: indecifrável.

Meu coração não tem forma, apenas som. Um noturno de Chopin (será o número 5?) em que Jim Morrison colocou uma letra falando em morte, desejo e desamparo, gravado por uma banda punk. Couro negro, prego e piano.

Meu coração é um bordel gótico em cujos quartos prostituem-se ninfetas decaídas, cafetões sensuais, deusas lésbicas, anões tarados, michês baratos, centauros gays e virgens loucas de todos os sexos.

Meu coração é um traço seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo.

Meu coração é um entardecer de verão, numa cidadezinha à beira-mar. A brisa sopra, saiu a primeira estrela. Há moças na janela, rapazes pela praça, tules violetas sobre os montes onde o sol se p6os. A lua cheia brotou do mar. Os apaixonados suspiram. E se apaixonam ainda mais.

Meu coração é um anjo de pedra de asa quebrada.

Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.Meu coração é um sorvete colorido de todas as cores, é saboroso de todos os sabores. Quem dele provar, será feliz para sempre.

Meu coração é uma sala inglesa com paredes cobertas por papel de florzinhas miúdas. Lareira acesa, poltronas fundas, macias, quadros com gramados verdes e casas pacíficas cobertas de hera. Sobre a renda branca da toalha de mesa, o chá repousa em porcelana da China. No livro aberto ao lado, alguém sublinhou um verso de Sylvia Plath: "Im too pure for you or anyone". Não há ninguém nessa sala de janelas fechadas.

Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria. A platéia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês.

Meu coração é um deserto nuclear varrido por ventos radiativos.

Meu coração é um cálice de cristal puríssimo transbordante de licor de strega. Flambado, dourado. Pode-se ter visões, anunciações, pressentimentos, ver rostos e paisagens dançando nessa chama azul de ouro.

Meu coração é o laboratório de um cientista louco varrido, criando sem parar Frankensteins monstruosos que sempre acabam destruindo tudo.

Meu coração é uma planta carnívora morta de fome. Meu coração é uma velha carpideira portuguesa, coberta de preto, cantando um fado lento e cheia de gemidos - ai de mim! ai, ai de mim!

Meu coração é um poço de mel, no centro de um jardim encantado, alimentando beija-flores que, depois de prová-lo, transformam-se magicamente em cavalos brancos alados que voam para longe, em direção à estrela Veja. Levam junto quem me ama, me levam junto também.Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso.

Acesa, aceso - vasto, vivo: meu coração é teu.

Caio Fernando Abreu.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

OFICINA DE CINEMA COM JOSÉ MOJICA MARINS, O ZÉ DO CAIXÃO!





OFICINA DE CINEMA COM JOSÉ MOJICA MARINS,EM POUSO ALEGRE-UNIVÁS CAMPUS FÁTIMA,DIAS 25 E 26 AS 19:30 E 27 DE FEVEREIRO AS 13:00H,VALOR DA INSCRIÇÃO R$50,00.
INSCRIÇÕES ABERTAS COM PAULO LIMA PELO FONE 9964-5579



- 61 anos de experiência em cinema não é para qualquer um! Mojica nasceu, viveu e respirou a vida inteira sua paixão, e é por ela que continua a lutar. Além de dirigir, esse artista multimídia e autodidata escreve, roteiriza, atua, ensina e divulga para o mundo o cinema experimental e profissional brasileiro.

E mais uma vez ele vem contribuindo com a nossa arte!
Nosso mestre José Mojica Marins mais conhecido pelo nome de sua criatura Zé do Caixão, acreditando que o melhor caminho para o desenvolvimento é a educação cultural, realiza oficina para os amantes de seu estilo improvisador e criativo, procurando desenvolver habilidades não só técnicas, mas também humanas através de um olhar questionador atento para o mundo em que vivemos. Usando atividades para despertar a colaboração no trabalho em grupo, a consciência social e a disciplina no trabalho.

O criador abrange em seu curso:

*Atuação: Consiste em imprimir, por meio de diversas técnicas, ou mesmo da pura intuição, vida e realidade a um personagem. Muitas vezes tida como fruto da inspiração, da racionalização das emoções, é a parte específica dos artistas da cena.

*Direção: Gerenciar a concepção artística de um produto audiovisual, incorporando uma série de funções.

*Câmera: Técnico de cinema responsável pela forma como o roteiro cinematográfico é transposto para o vídeo.


*Desenvolvimento de roteiro: é a forma escrita de qualquer espetáculo audiovisual Descrição objetiva das cenas, sequências e diálogos entre as personagens do espetáculo são partes essenciais do roteiro.

*Técnica de maquiagem de efeito: é a arte de transformar ilusões no cinema.


Ø Objetivo: Transmitir valores éticos, despertar talentos, ampliar horizontes profissionais.

Ø Publico alvo:Voltada para estudantes de cinema, rádio e TV e outros interessados no assunto, a oficina visa mostrar como fazer cinema no Brasil dentro da nossa realidade. Adolescentes e adultos (13 a 59 anos) .

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

CONCURSO DO VALE EDIÇÃO DE ANIVERSÁRIO

ENVIEM SEUS POEMAS


PARA.




valedassombrasmemorte@gmail.com


ou


memortesp@gmail.com

ou


aninhalopes0000@gmail.com.



REGULAMENTO GERAL.



REGULAMENTO ESPECÍFICO.



-cada pessoa pode enviar dois poemas que deverão ser de autoria propria, inéditos, de no máximo 80 linhas cada, estilo sombrio ou libidinoso, ou os dois.



- deverão enviar os poemas do dia 7 ao dia 22 de fevereiro de 2009



JURI CONVIDADO DO CONCURSO DO VALE

ROBERTO KLOTZ é um engenheiro que saltou dotopo do prédio recém-construído e estilhaçou-se em parágrafos. Nasceu noséculo passado. Bem-humorado, crítico, vacinado, analfabeto, irônico,paulistanamente candango. Suas histórias muitas vezes têm finaissurpreendentes. Gosta de pizza de muçarela, noite enluarada e de mostrarseus troféus literários. Dizem que seus textos são melhores que beijo. Éverdade, completa o autor, perdem apenas para sexo. Afirma ser o melhorescritor da face da Terra e também o maior mentiroso.

r-klotz@uol.com.br

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FLÁVIO MELLO é Escritor, Palestrante, Professor e Editor.Nascido em 1978 na cidade de São Paulo, capital, cidade onde se criou e vive. Casado com Rosimeire da Silva Mello, Bióloga e Artista Plástica, com quem tem uma filha, Alice nascida em 2006.



ENVIE SEU POEMA ATÉ DIA 22 DE FEVEREIRO